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| NOTA 8,0 Praticamente o pai dos slashers movies, produção envelheceu bastante, mas é inegável sua importância para o cinema de horror |
Sedimentando as convenções do gênero, o roteiro de Victor Miller e Ron Kurz dispensa preciosos minutos mostrando a galera se divertindo no lago, se drogando e se embebedando e, obviamente, flertando e transando, momentos acompanhados bem de perto pelo assassino sempre à espreita enquanto articula qual será a melhor maneira de eliminar os campistas. Usando a mesma técnica aplicada em Halloween - A Noite do Terror, o diretor Sean J. Cuningham posiciona sua câmera de forma como se fizesse as vezes dos olhos do vilão em momentos estratégicos, aguçando a curiosidade do espectador quanto a sua identidade. Bem, ao menos quando realizado, o objetivo era surpreender com a revelação. Mesmo assim a fita não segue totalmente o estilo adotado por John Carpenter em seu citado clássico slasher. O massacre em Crystal Lake é bem mais explícito e violento, com mortes na base do facão, machadadas e até flechas, além de cadáveres revelados no clímax dependurados em árvores, escondidos atrás de portas ou arremessados pela janela. Entre estes corpos está o de um jovem Kevin Bacon praticamente estreando no cinema no papel de Jack, um rapaz que resolve fornicar em hora imprópria e, como sabemos, quem não é puritano não sobrevive para contar sua versão dos acontecimentos. Apesar dos esforços no primeiro ato para os personagens criarem alguma sinergia com o espectador, eles não passam de arquétipos, perfis manjados e que viriam a se repetir à exaustão em produções desta seara, desde o contemporâneo A Hora do Pesadelo, passando pela reinvenção Pânico e batendo cartão até hoje em fitas menores e sem um pingo de originalidade, tanto que fica difícil até destacar algum título da safra dos anos 2000, todos completamente esquecíveis. Embora pelas características não demore para descobrirmos quem irá sobreviver (ou quase isso), Cunningham tenta segurar ao máximo a tensão evitando mortes prematuras. Os personagens somem aqui e acolá, mas fica a dúvida do que realmente lhes aconteceu.
O longa ganha pontos graças as trucagens e maquiagens usadas nas cenas de assassinato, criações do especialista Tom Savini que trabalhou na produção de Despertar dos Mortos, de George A. Romero, um dos mestres do cinema de horror. Apesar do capricho, boa parte de seu trabalho acabou sendo desprezado na sala de edição. As cenas de assassinatos originais eram longas e sofreram vários cortes para dar mais dinâmica aos momentos-chaves, mas nada que economize nos litros de sangue jorrados. A violência gráfica está garantida com requintes de crueldade, mas não se pode negar que no clímax fica difícil acreditar que Pamela Vorhees (Betsy Palmer), uma senhora com seus 50 ou 60 e poucos anos, conseguiria orquestrar tal massacre e aguentar a pancadaria na hora do vamos ver. Que vigor! Ela apanha e desmaia, apanha e desmaia, apanha e desmaia, mas sempre retorna com uma energia anormal, embora não seja imortal como seu filhinho. Dizem que a ideia de colocá-la como assassina no primeiro longa teve inspiração em Psicose, mas em uma relação às avessas, neste caso com a mãe sendo manipulada pelo espectro do filho. Até a trilha sonora característica bebe na fonte do clássico de Alfred Hitchcock, mas há também quem defenda que a perversidade do longa carrega ressonâncias da guerrilha que marcou para todo o sempre o Vietnã, com a maioria das fitas de terror da época fazia extrapolando os medos e as revoltas do público de modo alegórico. Todavia, Sexta-Feira 13 não tinha a menor intenção de reinventar a roda. A narrativa tem seus furos, por vezes é monótona, abusa da inteligência do espectador em certos momentos, mas não há como negar sua importância no desenvolvimento do cinema de horror. Lançando uma série de clichês que se tornariam regras para fitas do tipo, como os personagens perambulando sozinhos pela escuridão ou transando em meio ao caos, além de profanarem frases ridículas ou sem graça em momentos inoportunos, a fita deixou um invejável legado, ao menos em termos de quantidades. Com a perturbadora cena final do garoto Jason surgindo no lago para atacar a única pessoa que sobreviveu a vingança de sua mãe, o personagem renderia nada mais nada menos que dez continuações, incluindo o crossover Freddy vs. Jason e a adaptação para o universo de ficção científica Jason X, além de uma refilmagem lançada em 2009 desprovida de um pingo de originalidade ou identidade própria. Isso sem falar dos filhotes bastardos, como Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana.
Terror - 95 min - 1980




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